Nome inadequado, mas com desenho ousado

Boas ideias e bons projetos não faltaram no mundo do automóvel nas décadas de 60 e 70 no Brasil. E os salões de automóveis sempre atraíram grande publico afim de conhecerem grandes novidades.

E um protótipo nacional muito interessante foi apresentado ao público no III Salão do Automóvel em 1964, em São Paulo. O projeto era de Rigoberto Soler, espanhol de nascimento (1924) e naturalizado brasileiro. Este professor da FEI ( Faculdade de Engenharia Industrial) foi um dos  primeiros projetistas do Brasil, com projetos como o FEI-X3 (Saiba mais)  e o Brasinca 4200 GT (Conheça) . Infelizmente alguns não passaram do estágio de protótipo e tiverem um só exemplar. Foi o caso do Willys Capeta apresentado no salão de 1964. Ele era o destaque do estande da empresa  perto dele estavam o Willys Dauphine/Gordini e o Interlagos baseado no Alpine A-108 francês. O grande engenheiro faleceu em 2004.

Em 1963 a Willys muito entusiasmada com o sucesso do Interlagos nas pistas, onde quase ou todas as marcas nacionais queriam mostrar a potencialidade de seus carros apresentou o projeto capeta. A intenção era coloca-lo nas competições

O Capeta tinha motor dianteiro do Aero Willys. Seu motor dianteiro , batizado com o nome Hurricane, era arrefecido a água, tinha seis cilindros em linha, em posição longitudinal, 2.638 cm³, bloco construído em ferro fundido, um carburador da marca Zenith-DFV de corpo simples que fornecia 90 cavalos a 4.000 rpm. Estava longe de ser um motor moderno. A título de informação, Hurricane é um ciclone tropical sendo que o nome deste propulsor era completamente inadequado apesar de sua grande robustez. No sedã Aero fazia de 0 a 100 km/h em 25 segundos e sua velocidade máxima era de 125 km/h. Mas no Capeta tinha 148 cavalos (potência em medida SAE bruta) e o câmbio era de quatro marchas.  Segundo relatos da época o protótipo fez testes de aceleração e velocidade máxima, atingindo valores de 0 a 100 km/h em 10 segundos e 180 km/h de final. Excelentes para a época. Graças a aperfeiçoamento, carburadores trabalhados e coletores idem. Tudo feito com muito capricho por engenheiros da fábrica. E era bem mais leve que o grande sedã da Willys;

Sua carroceria era muito bonita, com linhas muito modernas e tinha clara inspiração nos esportivos italianos. Foi fabricada em plástico reforçado com fibra de vidro. Era um cupê 2+2 muito interessante. Sua área envidraçada era ótima para um esportivo. Por fora tinha belas rodas raiadas e vários componentes de modelos da Willys. As entradas de ar sobre o capô e nas laterais lhe traziam um certo charme

O interior trazia bancos em couro, apliques de jacarandá nas portas e painel que tinha ótima instrumentação. Tinha volante de madeira de três raios, velocímetro e conta-giros de bom tamanho e mais quatro mostradores como voltímetro, nível do tanque e temperatura e relógio de horas.

Depois da sua apresentação no Salão do Automóvel, o Capeta participou de uma exposição em Brasília. Seu projeto não foi aprovado por questão de custos e foi guardado pela Willys em um galpão anexo ao estúdio de estilo.  Ainda na década de 1960, foi doado ao Museu Paulista de Antiguidades Mecânicas, em Caçapava, interior de São Paulo. Com a morte de seu fundador, o antigomobilista Roberto Lee, o museu permaneceu fechado durante anos deixando os todos os veículos sem manutenção, uma heresia e o Capeta inclusive.

Com muito trabalho e empenho, a Ford e jornalista e advogado Roberto Nasser o carro foi restaurado e conseguiram transferir o Capeta para a Fundação Memórias do Transporte, Museu Nacional do Automóvel, em Brasília, mantendo o esportivo completamente restaurado como se vê nas fotos para o prazer dos aficionados . Está muito bem guardado e preserva a indústria nacional.

Hoje faz parte do acervo do Museu Nacional do Automóvel, em Brasília, cujo curador foi Roberto Nasser, que faleceu em novembro de 2018.

Em 2010, este carro foi muito assediado. Aconteceu no evento prestigiado de carros antigos Brasil Classic Show, em Araxá, Minas Gerais.


Texto, fotos e montagem Francis Castaings  -

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