O Esportivo do Sul

Nas décadas de 60 e 70 a maioria das indústrias de automóveis se concentrava em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os esportivos do país, na maioria, eram derivados de carros de série, a exceção do Puma. Em meados dos anos 1970,em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, os proprietários da Aldo Auto Capas ( fabricantes de bancos, tapeçaria, forrações e acessórios para a vários carros nacionais), Aldo Besson junto com Itelmar Gobbi tinham a intenção de fabricar um esportivo nacional também com mecânica Volkswagen traseira, arrefecida a ar. Vale ressaltar que os gaúchos tinham há décadas um forte elo com o automobilismo.

O Miura (Nome também de um esportivo de sucesso da Lamborghini italiana) foi lançado no primeiro semestre de 1977 e fez sucesso no Salão do Automóvel em São Paulo do mesmo ano. O esportivo tinha um desenho muito aerodinâmico, frente em cunha, faróis escamoteáveis, para-choques pretos que contornavam sua lateral, rodas de liga leve de 14 polegadas com pneus radiais 185 SR 14, retrovisores externos em ambos os lados e bom acabamento externo. Era oferecido em cinco cores (vermelho, amarelo, verde metálico, branco e prata). Tinha estilo muito original e chamava atenção. E já começava a ser exportado para os Estados Unidos

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Por dentro o volante esportivo tinha com controle elétrico de altura, ar-condicionado (muito conveniente), rádio AM/FM, bancos individuais reclináveis e painel muito equipado como todo esportivo merece. Tinha cinco módulos quadrados. Velocímetro com graduação a otimista de 220 km/h e conta giros a 7.000 rpm bem em frente ao volante esportivo de três raios. Na frente do belo console contava com termômetro, manômetro de óleo e relógio de horas. O esportivo só tinha três opcionais: toca-fitas, vidro elétrico e ar-condicionado. Os bancos, forrações e painel em couro de ótima qualidade. Em termos de acabamento dava um banho nos outros esportivos nacionais. Media 4,35 metros de comprimento, apenas 1,10 de altura 2,45 de entre-eixos, 1,63 de largura e pesava 890 quilos. Tinha o para-brisas muito inclinado e aproveitava os limpadores do Volkswagen SP-2. E os faróis eram do Fiat 147.

A motorização a ar de quatro cilindros opostos, tração traseira, 1,6 litros com um carburador de corpo duplo fornecia a potência de 65 cavalos. Fazia até 14 km/l e a capacidade do tanque era de 54 litros. Era um carro para poucos, pois era um dos mais caros de nossa indústria: Custava mais que o Alfa Romeo 2300 (conheça) e quase o mesmo que um Dodge Charger R/T (saiba mais) . E seu desempenho não era nada bom para as pretensões esportivas. Fazia de 0 a 100 km/h em 25 segundos e máxima de 135 km/h. Como a maioria dos Volkswagen iam muito em bem primeira e segunda marcha. Entrava a terceira e ... A fábrica na época já tinha como opções motores com 1.700 e 1.800 cm³.

A primeira evolução foi o MTS

Em 1981 o motor foi trocado pelo propulsor do Passat TS. Chamado MTS vinha com um radiador dianteiro, auxiliado por duas ventoinhas elétricas. O motor na traseira em posição longitudinal, tinha quatro cilindros em linha, comando de válvulas no cabeçote e  alimentação por carburador de corpo duplo. Sua cilindrada era de 1.588 cm³ e potência 96 cavalos a 6.100 rpm. Mantinha cambio manual de quatro marchas (VW Brasília) e  tração traseira. Estava um pouco maior com 4,3 metros de comprimento e altura de 1,14 metros. O peso passava para 890 quilos e calçava pneus 185/70 R13. Neste ano ambas versões já podiam ser fornecidas com motores a álcool. Poucas unidades foram fabricadas e o modelo da foto é raro

Em 1982 chegava o Targa que tinha capota removível como nos Chevrolet Corvette. Sua carroceria era completamente nova, mas mantinha os faróis escamoteáveis. A visibilidade do esportivo melhorava muito e como nos modelos anteriores era um carro bom para dois passageiros. Atrás crianças ou poucas bagagens. Mas o porta-malas estava maior.

A motorização era MD-270 1600, utilizado no Passat (saiba mais)  a partir da linha 1983, na frente e tração dianteira.Tinha 1.588 cm³, potência de 96 cavalos, torque de 13,2 mkgf,  cambio com quatro marchas e freios a disco dianteiros.

Atrás era notável um robusto aerofólio. A carroceria, apoiada em um chassi de aço, tinha um desenho bonito, interessante e original. As medidas eram pouco maiores que o Miura Sport. Sua versão Spider tinha perfil diferente, chassi reforçado , mas mantinha o DNA da marca. A capota de lona tinha acionamento manual e tinha bom acabamento. Nesta época a razão social da empresa passava a ser Besson Gobbi S.A. O Spider usava a mecânica do Passat GTS. A suspensão dianteira tinha o esquema McPherson  e atrás eixo conjugado flexível. Continuava com freios a disco na frente e tambor atrás

No segundo semestre de 1984, receberam o motor AP 800 (saiba mais) do Gol GT e câmbio de 5 marchas. Era um salto em termos de  desempenho. Foram  fabricados cerca de 550 modelos Targa entre 1981 a 1988. Sua velocidade final era de 175 km/h. Era oferecido,  como opcional, um bom e adequado turbocompressor.

O Saga

O modelo Saga foi lançado no Salão do Automóvel em São Paulo, capital, no final de 1984 . Tinha vários itens de luxo como uma pequena televisão embutida no painel, computador de bordo, abertura elétrica do porta-malas, interior em couro como nos anteriores e até um pequeno frigobar! Também como opcional tinha teto solar.

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A partir de 1987 o Miura Saga contava com um mimo a mais. A abertura da porta por controle remoto (não tinha maçanetas !) só visto anos depois nos importados e depois nos nacionais mais modernos da década de 90. O novo painel tinha desenho mais moderno e continuava com ótima instrumentação.

A partir de 1988 contava com o motor do Santana 2000. Era dianteiro, quatro  cilindros, longitudinal, 1 984 cm³, 2 válvulas por cilindro, carburador duplo, arrefecido a água e taxa de compressão: 8,5:1. Sua potência era de 116 cavalos a 5 400 rpm. Seu câmbio era manual de cinco marchas e tração dianteira. Tinha 4,53 metros de comprimento, 1,69 de largura, 1,33 de altura e entre-eixos de 2,58 metros. Seu peso era de 1.210 quilos. A suspensão dianteira era independente, tipo McPherson, braços triangulares transversais, barra estabilizadora, molas helicoidais. Atrás tinha eixo rígido, barra estabilizadora e molas helicoidais. Freava melhor com seus quatro freios a disco. Estava com pneus 195/70 R14. O Saga alcançava 175 km/h e ia de 0 a 100 km/h em 11 segundos.

A evolução foi o Saga 787 que estava mais curto em cinco centímetros e traseira hatch. Tinha linhas mais arredondadas, o grande aerofólio se mantinha sobre o porta-malas e faziam uma só peça. As luzes de neon na dianteira era destaque quando se acionava as setas. 

Em 1989, chegava a versão Top Sport, que era basicamente o modelo X8, mas com uma frente mais arredondada que lembrava o Porsche 924 e 944. Muito bom era a nova motorização do motor com injeção eletrônica VW AP 2000 (mecânica do Gol GTi), de 125 cavalos. Por fora a lentes de neon na frente e atrás faziam vista e mais moderno estava com o piloto automático e freio ABS (inédito no país).

Em 1990, o último esportivo da empresa era lançado. Era o Miúra X 11, com poucas mudanças em relação ao Top Sport.

Em 1992 chegavam os importados com preços atraentes e como a outras empresas de fibra não conseguiram suportar a concorrência. A empresa encerrava a produção de esportivos após quase 3.500 modelos produzidos sempre com muitas inovações.

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Os Concorrentes

Seus concorrentes eram modelo bonitos como o Bianco, Ventura (acima) , Adamo, o Lorena, as réplicas do Porsche 356 (abaixo) e 550, Shark, Malzoni GT (nada haver com o DKW Puma), Jornada, Renha, MP Lafer

O Puma GT 1600 (conheça)

Usando mecânica VW, o Shark 1971 com carroceria em plástico reforçada com fibra de vidro feita pela família Trivellato

O MP Lafer era uma cópia do MG TD. Saiba mais

O Santa Matilde (conheça)

O Bianco (conheça)

Texto, fotos e montagem Francis Castaings.                                                         

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