A sofisticação indígena

Picapes Chevrolet linha C/K, Cheyenne, Sierra e Scottsdale

No principio do século 20, quando a indústria automobilística começava a se diversificar e a produção em série se firmar, surgiram os primeiros pick-ups nos Estados Unidos derivadas de automóveis de duas e quatro portas. A inspiração veio dos caminhões, mas estes eram muito grandes e não atendiam aqueles que precisavam transportar pequenas cargas seja na cidade ou no campo. Eram chamadas na América do Norte de “Truck” termo que tem sua origem em vagão.

Surgiram então as primeiras Ford e Chevrolet com carrocerias de madeira e depois de aço. Não demorou e outras marcas, neste país como também no resto do mundo, descobrir o enorme filão destes úteis veículos. A linha 3100 Advanced Designer lançada em 1947, começou a ser montada no Brasil em São Caetano do Sul, São Paulo. Só a caçamba era fabricada aqui. Em 1951 a parte frontal passou a ser produzida no ABC paulista. O chassi, motor, cambio e partes mecânicas vinham dos Estados Unidos.

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Na década de 50, uma delas em particular, fez muito sucesso em terras brasileiras. Coincidindo com sua estreia em nosso mercado em 1955, a Chevrolet 3124 ou Cameo 3100, que ficou aqui no Brasil conhecida como Marta Rocha, devido a suas curvas na caçamba “Step Side”, homenageando nossa linda Miss Brasil do ano anterior que ficou mais conhecida ainda pelo seu vice-campeonato mundial no concurso de misses. Perdeu ela por ter algumas polegadas a mais. O modelo furgão desta picape, conhecido nos EUA como Suburban, também viria para cá, serviria principalmente como ambulância ou camburão policial. Estas tinham dimensões avantajadas.

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A motorização básica era um seis cilindros em linha, 4080 cm³ (249 polegadas cúbicas) e 125 cavalos. Como opcional era oferecido um oito cilindros em “V”, 4.340 cm³ (265) e 180 cavalos. Ambas com motor dianteiro, refrigerado a água, tração traseira, caixa de três velocidades manuais com alavanca na coluna, do grande volante de dois raios, ou automática opcional.

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Na década de 60 as camionetes começaram, nos EUA, a interessar também a aqueles que não estavam nas fazendas nem no interior. Começaram a fazer parte das grandes metrópoles do leste quanto californianas. Observando os novos costumes a General Motors começou a sofisticar suas picapes com motores mais potentes e acessórios mais sofisticados. Por fora elas também deveriam ser mais atraentes.

Foi assim que em 1971 surgiu a topo de linha Cheyenne derivada das conhecidas picapes da linha C/K que eram modelos de porte médio/grande da poderosa marca Chevrolet. A GM sempre homenageou tribos indígenas norte americana dando nomes a seus produtos. A picape Apache já tinha sido produzida pela empresa. Como é tradição entre os fabricantes americanos, a gama de opcionais era enorme.

A picape mais simples tinha motor de seis cilindros em linha, refrigerado a água, 4093 cm³ e 100 cavalos a 3.600 rpm. Depois vinha um oito cilindros em V, 5.030 cm³ (307 polegadas cúbicas) com 137 cavalos a 3.800 rpm. Era alimentada por um carburador de corpo duplo e tinha velocidade máxima de 150 km/h. Outro, mais moderno, também era oferecido. Mais potente, tinha 5.733 cm³ (350) e desenvolvia 145 cavalos a 3.800 rpm. A velocidade máxima desta chegava 155 km/h. Para tais potencias a capacidade do tanque não poderia ser pequena. Carregavam 80 litros de boa gasolina, porém de baixa octanagem para não ferir as leis ambientais que começavam a atormentar os engenheiros da indústria automobilística dos EUA. A motorização mais forte e topo de linha dispunha de 6.573 cm³ (400) tinha 175 cavalos a 3.600 rpm. Esta já vinha de fábrica com tração nas quatro rodas. Conforme a motorização, a capacidade de carga variava de 500 a 1500 quilos.

Os freios a disco dianteiros nesta eram de série, a suspensão dianteira era independente com molas helicoidais e a traseira de eixo rígido e molas semi-elípticas.  Os pneus podiam ser na medida G78 x 15 ou E 78 x 15. Se o cliente quisesse a faixa branca estava disponível. As rodas eram em aço estampado com calotas ou, pagando mais um pouco, bonitas rodas de liga. O comprador podia optar por cambio manual de três velocidades, automática Powerglide ou Turbo-Hydramatic sendo que todas estas tinham alavanca na coluna. Ainda contava com a mais adequada com quatro marchas manual com alavanca no assoalho.

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A grade dianteira em alumínio era quadriculada e dois faróis redondos a ladeavam. O símbolo da gravata de fundo azul ficava em destaque no centro. Nos largos e visíveis para-choques cromados ficavam as luzes de seta de cor âmbar. Poderia ser adquirida com caçamba curta (6 ½ pés, quase dois metros de comprimento) ou longa (8 pés, 2,4 metros) conhecida por lá com “Longhorn”. O comprimento total do veículo podia chegar a 5,47 metros e pesar de 1.650 a 2.300 quilos. No teto, sobre a capota, como opcional, podia receber pequenas luzes vermelhas, três no centro e duas nas pontas. Ainda como opcionais imensos retrovisores que eram úteis em caso de tracionar um reboque. Tinham força para tal...  Na lateral também era destaque as luzes de seta retangulares nas extremidades. Todos os modelos dispunham de tração traseira ou total. Nesta ultima configuração recebia pneus H78 x 15. 

Por dentro tinham a disposição banco inteiriço ou separados, motorista e dois passageiros. A cabine era confortável e possuía ar condicionado, vidros elétricos e radio AM/FM com toca fitas de boa qualidade. A instrumentação era farta e o acabamento refinado. O painel, conforme acabamento era revestido ou ficava com a chapa aparente.

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Em 1973 a produção ultrapassou 1.055.273 unidades batendo o recorde do ano anterior e deixando a Ford com a segunda posição. O motor 454 substituía o de 400 polegadas cúbicas. Este tinha 7.439 cm³ e 240 cavalos a 4.000 rpm. Por fora havia pequenas mudanças. A grade dianteira, por sua vez, estava retangular e seu quadriculado com entradas maiores. Os faróis estavam com molduras mais destacáveis.

Um ano depois, todas as picapes que eram equipadas com motor V8 vinham de fábrica com tração nas quatro rodas. Por fora o mais notável, também de série, a caçamba com proteção de alumínio escovado. Ainda, a pintura em dois tons na carroceria era apreciada. 

Em 1984 sofre completa remodelação de carroceria, maior desde o lançamento. E estavam mais leves 300 quilos em média graças ao emprego de materiais mais nobres. Contava com quatro faróis retangulares quadrados, opcionais, frente e carroceria de linhas mais curvas e modernas. As que possuíam tração nas quatro agora contavam com diferencial auto-locking, ou seja, com sistema de bloqueio.

Em 1987 havia nova reestilização. A linha conta com picapes cabine simples, estendida, Fleetside (caçamba normal) e Sport Side (caçamba curta). As mais potentes e grandes contavam com pneus duplos atrás. Dependendo da versão, poderiam receber pneus gigantescos como os na medida 245/75 R 16. Os freios já contavam com ABS nas rodas traseiras. Os tanques de combustível variavam de 95 a 130 litros. Os motores V8 mais mansos iam de 175 a 210 cavalos. Este último emprestado do Chevrolet Camaro. Todos tinham abandonado o carburador e contavam com injeção eletrônica. O motor V8 a gasolina mais potente e guloso agora contava com 7.442 cm³ e 230 cavalos a 3.600 rpm. O torque máximo de 53,1 kgm era atingido a 1.600 rpm. A linha dispunha de caixa manual de quatro ou cinco velocidades ou automática de três ou quatro velocidades. 

Em 1991 ganhava mais uma mudança de carroceria sendo que esta é quase idêntica a nossa Silverado. Em 1997 até 2002, nova carroceria e também foi disponibilizado a versão 3500HD com motor diesel de 6.217 cm³ e 150 cavalos. Seu torque era de 33,2 kgm a 2.000 rpm. Tinha velocidade final de 145 km/h.

No Salão de Detroit de 2000 foi apresentada um picape conceito Cheyenne com linhas nada ortodoxa e motores ainda mais potentes. Ela não pára de evoluir.

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Fotos de publicação

Dependendo do país, atualmente, se for México, se chama Cheyenne e nos Estados Unidos GMC Sierra ou Chevrolet Silverado. A linha  C/K  também é fabricada na Argentina desde a década de 60, foi no Chile, Coreia do Sul e no Brasil até 2001.

A versão militar










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Nota: No Brasil, na década de 80 e 90 houve uma grande procura por picapes movidas à diesel.

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A General Motors fez um estudo, e para valer a pena, o veículo teria que rodar 14.000 quilômetros mensais para compensar o preço mais alto em quase 25%. Mas era moda ter uma grande picape cabine simples ou dupla movida a óleo diesel!

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Em Escala

Abaixo uma bela versão 1/43 do modelo de 1953. O motor na frente é um destaque bacana, mas de outra escala. Fabricante Road Champs.

Uma Cheyenne 1972 do fabricante Welly na escala 1/43

A Cheyenne como a Silverado, a Sierra e a série C/K existem em várias escalas. Abaixo na escala 1/24 uma C/K 3500 1997 da Sunny Side

Abaixo duas da série Hotwheels Wayne's Garage na escala 1/64. A bege Hays modelo 1969 e a Edelbrock 1983.

E a Matchbox na escala 1/60. Modelo 1975.

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Nas telas

No filme as Pontes de Madison (Bridges of Madison County) de 1995 o ator e produtor Clint Eastwood vive o fotógrafo da revista National Geographic, Robert Kincaid, que tem um romance com Meryl Streep que faz o papel de Francesca Johnson.

Neste belo filme as picapes  Chevrolet estão presentes. Ele tem uma GMC 1500 1960 e o marido de Francesca tem uma Chevrolet Task-Force Apache 1959 

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Para quem gosta de um bom filme com várias perseguições vale a pena ver "The Driver" de 1978 com Ryan O'Neal que faz o papel principal e da show de pilotagem. Ele e outros atores famosos fizeram a escola de pilotagem Advanced Teen Driving - Bondurant Racing School do ex piloto Bob Bondurant. No filme Ryan usa vários carros e uma Chevrolet C-10 Stepside 1973 muito rápida!

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Picapes Chevrolet - Robustez que conquistou o Brasil

Caminhões FNM 

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Texto, fotos e montagem:  Francis Castaings                           

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